
Entrevista
com Seu Jorge
Ator e musicista desde jovem, Seu Jorge, uma das principais personalidades brasileiras, conta que já foi até morador de rua.
RBO: De onde você é e onde vive hoje um dos maiores cantores do pop-rock nacional?
Sou fluminense de Belford Roxo, no Rio de Janeiro. Hoje eu vivo com minha mulher e minhas filhas em Los Angeles, CA.
RBO: Como você foi parar nas ruas, e quando isso aconteceu?
Eu era muito jovem. Depois que o meu irmão foi assassinado em uma batalha de policiais contra traficantes, eu passei os três anos seguintes vivendo nas ruas. Eu decidi assim porque me envolver com o crime seria ruim para os meus irmãos mais novos.
RBO: Como você conseguiu superar esse golpe? Quais foram suas ações para isso?
Eu me vinguei quando decidi fazer música e enviar uma mensagem boa para as pessoas. Tenho feito filmes e falado dessas histórias.
RBO: Você já se apresentou para o público de onde você veio?
Como artista, eu nunca toquei em favelas.
RBO: E por quê?
Porque eu ralei muito para escapar disso. Eu não quero voltar porque os 'big boys' vão dizer: 'Eu quero conhecer o Jorge, quero encontrar com ele'. E eu não quero estar envolvido com essas coisas.

Na Austrália, no Sydney Festival, evento que reúne música, teatro e dança, o correspondente do jornal britânico "The Guardian", o repórter Nick Olle, escreveu que “era difícil conciliar essa juventude endurecida ao homem gentil à sua frente”, fazendo referência ao cantor.
Além do passado, Jorge também contou sobre seu último trabalho, o segundo volume de "Músicas para Churrasco", lançado em abril de 2015, falou sobre o futuro da carreira e sobre seus trabalhos na telona
RBO: Recentemente você foi protagonista em um filme de Marcelo Galvão, “O Matador”. Como foi trabalhar com o cineasta?
O filme é um faroeste no sertão nordestino, com muita ação, cabeças cortadas e o clima da violência estilizada de Quentin Tarantino. O Marcelo é um cara incrível, e trabalhar com ele foi uma experiência única. Como você disse, aquele foi meu primeiro papel como protagonista, e só por isso o filme já seria uma experiência especial pra mim.
Seu Jorge despontou fora da música como o Mané Galinha de "Cidade de Deus", teve participações em outros filmes nacionais como no longa de sucesso “Tropa de Elite II”, mas já se aventurou em outras línguas - no filme "A Vida Marinha com Steve Zissou", de Wes Anderson - e já figurou em outros projetos como as cinebiografias de Jimi Hendrix e de Pelé. No filme sobre o rei do futebol, Seu Jorge vive o pai do atleta no início da carreira.

